Sua História  escrito em terça 19 janeiro 2010 02:01

Caminhando sob a tempestade,

a paz me invade
ao te observar.
No corpo cansado,
nos olhos marejados,
no reflexo do solo
em que as águas
lavam meus pés,
sei quem tu és,
a força de tua fé
e como chegou
onde meus olhos
te vêem brilhar.
Teu altar
tem a cor
de teus sonhos
e o contorno
de teu suor,
e quando parecia perdido,
você foi melhor
que a descrença dos tolos
e o pensamento dos fracos.
Nos frascos das pressões
exalou tua essência,
tua garra, inteligência,
tua luta e resistência,
mantendo a coerência
nos momentos de dor
e transformou o amor
na base de seu trabalho.
Até os corações mais duros,
você fez um furo
e os transformou em bondade.
Teu medo 
virou coragem,
e nessa viagem,
o caminho árduo
virou glória.
Agora, você tem
a sua história
nas letras do quadro
como um legado
daqueles que ouvirão 
teus ensinamentos
e os levarão
além da vida.
Cristian Ribas
P.S.: Poema em homenagem a Kátia Carvalho, minha namorada, pela sua formatura, após muita luta, coragem, esforço e fé, no curso de Letras da ULBRA.
permalink

A Luz Que Nunca Vai Se Apagar  escrito em domingo 17 janeiro 2010 19:19

Com meu cabelo beatle

e meu jeans desbotado,
quero estar ao teu lado
cantando qualquer canção
que te toque o coração.
Com violão desafinado,
a voz rouca
e os dedos machucados,
cantando num idioma
que só a gente 
entende.
Mesmo que eu tenha
cabelos brancos,
um caminhar manco
e um tom de nostalgia
tocando uma melodia
que quase ninguém
lembra.
Se escurecer mais cedo,
seguirei a luz
que nunca se apaga
e deixarei meu rastro
sem nenhum compasso
de espera.
E se acabar minha rima,
deixo minha sina
pra aquecer tua alma
e te escrever
em qualquer espaço
sem preocupações.
E se eu seguir o sol,
não deixarei sombras
que a noite apagou.
Deixarei só uma luz
que nunca vai
se apagar.
Cristian Ribas
permalink

A Divindade  escrito em domingo 17 janeiro 2010 18:26

Ao caminhar no teto,

transformo o deserto
com as cores do meu olhar.
Mesmo que meu navegar
não tenha mares
e a caminhada
seja um mergulho
nas próprias dores.
Mesmo com o martelo
batendo em minha cabeça
sigo quebrando sentenças,
curando doenças,
alimentando crenças
de quem não tem fé.
Pois sou letra e harmonia,
sou riso e ironia,
sou chama e resistência.
Mesmo na queda dos cometas
e no vôo das borboletas,
no despertar do pesadelo
e ao dominar os próprios medos.
Somos divindade,
mesmo que a verdade
não seja sinônimo
em todos os idiomas
e todas as mentes
não tenham
os mesmos pensamentos.
Mas, os sentimentos
nos dirão o momento
que tudo 
será pleno
dentro de nós.
Cristian Ribas
permalink

Vertente  escrito em quinta 07 janeiro 2010 23:54

 

Não sou mais

loucura ou ansiedade,
pranto ou irracionalidade,
mácula ou maldade,
pois em teus braços
despertei
em felicidade.
Mesmo que a saracura
cante desafinado
e queira me ver acordado
em sua madrugada,
sou ópera reinventada,
de melodias alegres
e de vocal suave,
que vem e parte,
mas nunca leva
a minha essência.
Não me olhe desse jeito,
procurando defeito
onde tudo está perfeito.
Apenas estou feliz.
Alheio ao negativo,
vivendo sem motivo
e destilando minha vertente.
E quando minhas águas 
te banham,
sou cachoeira
que sem engano
amo
estar ao seu lado.
Cristian Ribas
permalink

Quando Éramos Reis  escrito em terça 29 dezembro 2009 03:20

Olá, amigos!

Me perdoem se eu cometer algum erro sobre datas, fatos ou me confundir sobre algum detalhe específico. A verdade é que estou sob o efeito da emoção. Acabei de ver o documentário "Quando Éramos Reis", que conta os bastidores da considerada a maior luta de boxe de todos os tempos, entre Muhammad "Cassius Clay" Ali e George Foreman. A luta aconteceu no antigo Zaire, hoje atual República Popular do Congo, em 30 de outubro de 1974, na cidade de Kinshasa. 

A luta ficou historicamente conhecida como "The Rumble in the Jungle" (a luta na floresta). Porém, o que mais impressiona e fica marcado em meu olhar é a personalidade marcante de Ali. Ele era carismático, eloqüente, falastrão, bem humorado, cativante, de uma inteligência fantástica e um olhar muito além do esporte sobre sua existência e importância na situação social dos negros americanos, e porque não dizer, do mundo. Sua coragem ia muito além dos ringues, quando desafiou o governo americano se negando a entrar no exército para ir ao Vietnã, com a simples justificativa de que "nenhum vietcongue me chamou de crioulo". Com esse ato, perdeu o título mundial dos pesos pesados, ficou proibido de lutar por 3 anos e meio e teve que pagar uma alta multa. Mas nada que o fizesse calar. Se tornou islâmico e, nessa viagem ao Zaire, graças à uma lesão de Foreman às vésperas da luta, excursionou pelo continente africano defendendo sua origem, sua cor e o amor pela sua etnia. Um homem afável, que tratava melhor pessoas humildes do que grandes líderes.

Especificamente, sobre a luta, ele encarava um adversário maior, mais jovem, mais rápido do que ele, que havia nocauteado no segundo assalto dois lutadores que o haviam derrotado. Num primeiro round onde ele tentou utilizar sua "dança" perante Foreman sem surtir efeito, se tornou um saco de pancadas do segundo ao quinto assalto, mas sem jamais perder seu ego, seu orgulho e jeito falastrão, dizendo pra Foreman, a cada soco recebido: "Você está me desapontando, George! Seu soco não é de nada, George! Minha mãe bate melhor que você, George!" Apanhou muito até Foreman cansar como tática de luta e com mais de 100 mil pessoas gritando "Ali, buma ye" (Ali, mate-o) conseguiu nocauteá-lo com um direto de direita no oitavo round. 

Foreman, após a derrota, ficou em depressão por mais de dois anos sem assimilar a derrota, virou pastor, e quase aos 40 anos, voltou aos ringues. Foi campeão mundial aos 48 anos e nunca mais foi nocauteado.

Ao ouvir Ali, a palavra fácil e a capacidade que suas idéias criam forma e nos abrangem, fico admirado, comovido e me entristeço por perceber que, no mundo atual, não consigo ver, em nenhum setor de nossa sociedade, um homem com sua grandeza. Que, seja com a força de seus punhos ou o poder de seus ideais, queira transformar o mundo, de modo concreto, um lugar melhor pra todos.  

Realmente, aprendi muito com esse documentário, e mesmo que a vida teime em nos bater, se resistirmos, sempre conseguiremos nocautear aquilo que nos impede de ser feliz.

 

Beijo no coração de todos e fiquem com o clipe final do filme. {#}

permalink