Milagre Único  escrito em quarta 03 dezembro 2008 05:37

Blog de cristianribas : O Sentido dos Ventos, Milagre Único

 

 

Não sou absurdo.
Na confusão do mundo,
no fim dos segundos,
no meu amor vagabundo
ainda encontro valor.
Mesmo na dor que não passa,
no caminho sem volta
que retorna
com todos os nossos vestígios.
Não há como esquecer
o que nos faz viver
ou arrancar
o que nos faz respirar.
O medo é a demência
que nos rouba a razão,
que dá à solidão
contornos de loucura.
E nessa essência pura,
na verdade crua,
sei como curar nossa insanidade.
Se você é madrugada,
não quero amanhecer.
Quero morrer dentro de ti
e renascer,
no milagre único
do teu prazer.

Cristian Ribas

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Meu Porto  escrito em segunda 01 dezembro 2008 05:29

Blog de cristianribas : O Sentido dos Ventos, Meu Porto

 

Estou cansado,
em meu barco abandonado,
sem poder regressar
para meu porto.
Fico absorto
sem ter onde ancorar,
sem um abraço
pra me amparar
ou sem um coração
pra me amar.
Navego no oceano,
mergulhando em enganos,
tentando descobrir
onde a tempestade me jogou,
juntando o que restou
e reconstruindo.
Sob o céu nublado,
qualquer lado
é o caminho certo.
Deixo o vento forte
comandar meu destino,
derrotar a tormenta
e soprar em meu ouvido
melodias de consolação.
E na solidão,
me conheço.
Sou olhos do mundo,
sonho de muitos,
realidade de poucos,
alma sem corpo
até voltar
para meu porto.

Cristian Ribas

 

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O Vôo da Fênix  escrito em domingo 30 novembro 2008 09:41

Blog de cristianribas : O Sentido dos Ventos, O Vôo da Fênix


 
Não há mais o que dizer,
apenas, renascer
das próprias cinzas.
Não importa o que sinto,
se encontramos o céu
mas permanecemos no limbo,
procurando desculpas
pra nossa fraqueza.
Se meu coração ainda arde,
transformo meu corpo em chamas,
e descubro no vento
o propulsor de minhas asas.
Na fogueira de meus medos
queimo minhas lembranças,
pra não deixar esse momento
escrever em meu peito
o falso como verdade.
Se morreu meu amor
sem a digna despedida,
reencontrarei a vida
que ainda pulsa aqui dentro.
Na combustão dos sonhos,
no vôo da noite
até reacender
meu sol.

Cristian Ribas

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O Amor e Outros Delírios  escrito em quarta 19 novembro 2008 05:59

Blog de cristianribas : O Sentido dos Ventos, O Amor e Outros Delírios

 

Sou vítima da saudade,
escravo da vontade,
algoz da minha paz.
Pois qualquer paisagem
tem tua cor,
qualquer canção
tem tua voz
e qualquer aroma
tem teu cheiro.
Sou teu por inteiro,
no feitiço da noite
ou na sobriedade do dia,
confundindo a euforia
com a mais dolorosa melancolia.
Sem saber onde andas,
te encontro aqui dentro,
ouvindo meu peito
ecoar teu nome.
E quando você some,
não ouço mais nada,
apenas essa necessidade,
que rouba minhas verdades
e precisa te ter por perto.
Sem você,
o oceano vira deserto,
o engano se torna correto,
e eu,
em delírio completo,
me sinto vazio,
como um rio sem foz,
o eu sem o nós.
E o amor,
em sua loucura,
se perpetua,
mesmo que não seja,
na forma mais bela,
que você mereça.

Cristian Ribas

 

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Confissão de um homem...  escrito em terça 18 novembro 2008 06:06

Blog de cristianribas : O Sentido dos Ventos, Confissão de um homem...

      Acho que, nesse blog, pela primeira vez, eu escrevo diretamente nele. Sempre utilizei outras páginas pra criar. E depois de pronto, colava aqui, mesmo tendo um carinho todo especial por esse canto virtual. E, nesse instante, preciso abrir o peito, colocar certas idéias e circunstâncias pra fora que, com toda a certeza, me incomodam.

    Não sei se, os fãs ou pessoas que apreciam meus escritos de forma mais atenta, perceberam os novos contornos de meus poemas. Eles estão mais amargos, doloridos, pesarosos, realistas, e sem aquelas nuances de amor, paixão e fantasia que sempre nortearam minhas palavras. Cada frase, cada idéia, cada novo poema perdeu sua naturalidade, sua sensibilidade, sua melodia suave. E, sempre que sento pra tentar expor minhas idéias, tentar vencer essa aversão que as palavras tomaram de mim, sinto como se, em vez da caneta, eu tivesse um bisturi em minhas mãos, cortando a pele e tirando do meu peito um amargor e agonia que povoam minha alma.

    Cada poema tem sido uma batalha pra mim. Muita coisa que eu tentei escrever, eu não completei. E, em vez de distribuir o amor, a paixão, a vida, me pego numa guerra contra minhas sombras e a minha realidade. Entre minhas fraquezas e minha razão. E no desequilíbrio dos sentidos, me sinto ser alguém que não gostaria de ser.

    É um ano que, de algum modo, preciso esquecer. Ainda sou ignorante pra compreender os desígnios divinos dessas imensas barricadas que bloquearam meu caminho e me impediram de lutar com minha vida por aquilo que jurei defender e ainda não sou tão forte quanto pensava ser minhas convicções. Mas, por orgulho, teimosia e fé no merecimento, ainda estou de pé. E, mesmo não vendo o mundo com a clarividência necessária, sempre uso como referência um trecho de uma música do grande maestro argentino Fito Paez que é:

"A melancolia de morrer nesse mundo sem viver por uma estúpida razão..."

E qual é minha razão?

Foi, é e sempre será. O amor...

 

Cristian Ribas

 

   

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