Caminhando sob a tempestade,
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Caminhando sob a tempestade,
Com meu cabelo beatle
Ao caminhar no teto,
Não sou mais
Olá, amigos!
Me perdoem se eu cometer algum erro sobre datas, fatos ou me confundir sobre algum detalhe específico. A verdade é que estou sob o efeito da emoção. Acabei de ver o documentário "Quando Éramos Reis", que conta os bastidores da considerada a maior luta de boxe de todos os tempos, entre Muhammad "Cassius Clay" Ali e George Foreman. A luta aconteceu no antigo Zaire, hoje atual República Popular do Congo, em 30 de outubro de 1974, na cidade de Kinshasa.
A luta ficou historicamente conhecida como "The Rumble in the Jungle" (a luta na floresta). Porém, o que mais impressiona e fica marcado em meu olhar é a personalidade marcante de Ali. Ele era carismático, eloqüente, falastrão, bem humorado, cativante, de uma inteligência fantástica e um olhar muito além do esporte sobre sua existência e importância na situação social dos negros americanos, e porque não dizer, do mundo. Sua coragem ia muito além dos ringues, quando desafiou o governo americano se negando a entrar no exército para ir ao Vietnã, com a simples justificativa de que "nenhum vietcongue me chamou de crioulo". Com esse ato, perdeu o título mundial dos pesos pesados, ficou proibido de lutar por 3 anos e meio e teve que pagar uma alta multa. Mas nada que o fizesse calar. Se tornou islâmico e, nessa viagem ao Zaire, graças à uma lesão de Foreman às vésperas da luta, excursionou pelo continente africano defendendo sua origem, sua cor e o amor pela sua etnia. Um homem afável, que tratava melhor pessoas humildes do que grandes líderes.
Especificamente, sobre a luta, ele encarava um adversário maior, mais jovem, mais rápido do que ele, que havia nocauteado no segundo assalto dois lutadores que o haviam derrotado. Num primeiro round onde ele tentou utilizar sua "dança" perante Foreman sem surtir efeito, se tornou um saco de pancadas do segundo ao quinto assalto, mas sem jamais perder seu ego, seu orgulho e jeito falastrão, dizendo pra Foreman, a cada soco recebido: "Você está me desapontando, George! Seu soco não é de nada, George! Minha mãe bate melhor que você, George!" Apanhou muito até Foreman cansar como tática de luta e com mais de 100 mil pessoas gritando "Ali, buma ye" (Ali, mate-o) conseguiu nocauteá-lo com um direto de direita no oitavo round.
Foreman, após a derrota, ficou em depressão por mais de dois anos sem assimilar a derrota, virou pastor, e quase aos 40 anos, voltou aos ringues. Foi campeão mundial aos 48 anos e nunca mais foi nocauteado.
Ao ouvir Ali, a palavra fácil e a capacidade que suas idéias criam forma e nos abrangem, fico admirado, comovido e me entristeço por perceber que, no mundo atual, não consigo ver, em nenhum setor de nossa sociedade, um homem com sua grandeza. Que, seja com a força de seus punhos ou o poder de seus ideais, queira transformar o mundo, de modo concreto, um lugar melhor pra todos.
Realmente, aprendi muito com esse documentário, e mesmo que a vida teime em nos bater, se resistirmos, sempre conseguiremos nocautear aquilo que nos impede de ser feliz.
Beijo no coração de todos e fiquem com o clipe final do filme.
