Acho que, nesse blog, pela
primeira vez, eu escrevo diretamente nele. Sempre utilizei outras
páginas pra criar. E depois de pronto, colava aqui, mesmo tendo um
carinho todo especial por esse canto virtual. E, nesse instante,
preciso abrir o peito, colocar certas idéias e circunstâncias pra
fora que, com toda a certeza, me incomodam.
Não sei se, os fãs ou pessoas que
apreciam meus escritos de forma mais atenta, perceberam os
novos contornos de meus poemas. Eles estão mais amargos, doloridos,
pesarosos, realistas, e sem aquelas nuances de amor,
paixão e fantasia que sempre nortearam minhas
palavras. Cada frase, cada idéia, cada novo poema perdeu sua
naturalidade, sua sensibilidade, sua melodia suave. E, sempre
que sento pra tentar expor minhas idéias, tentar vencer essa
aversão que as palavras tomaram de mim, sinto como se, em vez da
caneta, eu tivesse um bisturi em minhas mãos, cortando a pele e
tirando do meu peito um amargor e agonia que povoam minha alma.
Cada poema tem sido uma batalha pra mim.
Muita coisa que eu tentei escrever, eu não completei. E, em vez de
distribuir o amor, a paixão, a vida, me pego numa guerra contra
minhas sombras e a minha realidade. Entre minhas fraquezas e minha
razão. E no desequilíbrio dos sentidos, me sinto ser alguém que não
gostaria de ser.
É um ano que, de algum modo, preciso
esquecer. Ainda sou ignorante pra compreender os desígnios divinos
dessas imensas barricadas que bloquearam meu caminho e me impediram
de lutar com minha vida por aquilo que jurei defender e ainda não
sou tão forte quanto pensava ser minhas convicções. Mas, por
orgulho, teimosia e fé no merecimento, ainda estou de pé. E, mesmo
não vendo o mundo com a clarividência necessária, sempre uso como
referência um trecho de uma música do grande maestro
argentino Fito Paez que é:
"A melancolia de morrer nesse mundo sem viver por uma estúpida
razão..."
E qual é minha razão?
Foi, é e sempre será. O amor...
Cristian Ribas